19 janeiro 2010

O cônsul do Haiti poderia ser só preto, sem preconceito...

Oi povo do Pimentas!

Não sei vocês, mas eu tenho me emocionado muito com as notícias do Haiti, principalmente os salvamentos. Teve também a cena de um menino de 2 anos com um copo sujo na mão, caminhando timidamente em direção ao caminhão-pipa para pegar água, que me cortou o coração.

Mas tenho sentido também raiva. Dos bandidos que fugiram da penitenciária que ruiu e ainda têm a capacidade de matar e estuprar, de quem não faz doação por achar que a Cruz Vermelha vai roubar o dinheiro, e principalmente do Cônsul do Haiti no Brasil. Não sei o nome desse “cidadão”, e na verdade nem quero saber. Olha que meigo, solidário e consciente ele foi:



Pô seu Cônsul, quer ficar famoso vai pro Haiti ajudar no salvamento, faz alguma coisa útil!

Mas gostaria de me ater à parte em que ele fala que onde tem preto, africano, o povo só se fode. Bem, é fato que os países de maioria negra são pobres, mas... isso não se deve aos anos e anos de gente sendo roubada pra limpar a bunda de europeus no novo continente? Não será por todos os diamantes roubados da Namíbia? Ou, Seu Cônsul, será porque normalmente o negro é simplesmente bom?

Pensa um pouco, tomando a demografia do Brasil como base. Quer dizer, analisemos a faixa litorânea do país, que recebeu a maior parte dos imigrantes estrangeiros.

No sul tem pouco preto. Alguma concentração aqui e ali, um bairro de Porto Alegre com um pouco mais, e era isso. Adivinha? Esse bairro é um dos mais pobres da cidade. Em Santa Catarina é raridade achar um negro, no Paraná idem. Aliás, tem mais japonês do que preto, e já diria o Vanucci que a África é aqui do lado. O Estado de São Paulo é tão misturado que mal cabe uma citação, mas enfim: pela quantidade de grupos de pagode, hip hop e escolas de samba a gente desconfia que a negritude não é tamanho júnior. (calma, não tô sendo preconceituosa, você vai entender - espero).

A partir do Rio de Janeiro a coisa começa a mudar, a se equiparar. No Espírito Santo tem muito descendente de italiano, a coisa enloirece um pouco, mas na Bahia a plenitude é negra. Sol, calor, música e muita alegria. Vai subindo no mapa, o Maranhão é a Jamaica brasileira! (lembrando que a Jamaica não é na África, tá?). Muito reggae roots, muito negão de cabelo dreadado e Bob Marley é rei. Lá pra cima, no Nortão do país, a coisa fica ainda mais mestiça. E continua pobre e feliz.

Pegou o fio da meada? Quanto mais negra é a população, coincidência ou não o lugar é “menos favorecido”. Talvez pela falta de oportunidade que recebem, talvez pelo gritante e tão negado preconceito que a soberania branca traz dentro de si, talvez porque os negros dividem tanto o que têm que ficam com tão pouco, mas cada um tem um pouquinho.

E sabe o que é lindo nos lugares de predominância negra? As pessoas são lindas por dentro e ainda mais por fora. Corpos lindos, de músculos perfeitos, e aqueles dentes tão brancos que parecem falsos. E o corpo das negras? Papai do Céu, na próxima vida quero ser negona, cinturinha fina, bundão sem estrias nem celulites e um par de peitos que não cai nem que a gravidade mande. Dom para as artes, para a dança, culinária e, acima de tudo, o dom de rir com os olhos. Os melhores esportistas, os mais pacíficos dos vizinhos – a não ser que precisem comprar uma briga.

Onde tem preto tem cultura, tem história. Tem capoeira, tem samba. Tem engajamento político, tem orgulho pela origem sem desmerecer a raiz de quem os rodeia.

Quer saber? Às vezes acho que os negros não conhecem seu black power, pra total sorte dos brancos que se acham os donos do mundo mas que não aguentariam um só dia na escravidão. Não por seu ego, que é maior que a África, mas por sua fraqueza física.

Ah, falando em fraqueza: ô seu Cônsul, cuidado com a macumba. É o nome de um tambor batido nas festas e rituais das religiões africanas, e tomar uma macumbada nessa sua cabeça oca vai fazer um belo estrago. E tomara que nenhum dos 100 familiares venha do Haiti pra reconhecer seu corpo imaculadamente branco.

Vou ali cuidar do futuro do meu filho, provavelmente negro, e depois eu volto. Té mais!

2 comentários:

  1. Ana, perfeito o texto!!
    Apesar de branco, me dou mais com negros, acho a maioria da gente branca daqui do Sul muito nojenta, acham que têm o rei na barriga mesmo!
    Aliás, esses branquinhos não aguentam um dia de trabalho pesado de jeito nenhum!!
    Só pra citar, boa parte da minha família é negra e eu adoro isso!
    Abraços Ana!!

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  2. Gente, eu não acredito numa coisa dessas. Será que alguem me explica quais os critérios p/ alguém ter um cargo como esse? Será um concurso, ou Q.I., ou tira numa caixa de sapato o papelzinho com o nome do país que se vai representar, ou o que??Tanta dissonância , nada a ver com nada...Pai do céu!! Isso chega a ser tão devastador quanto a própria tragédia! Que duplinha, que dava com o Bóris, hein?? Pelo amor!

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